Souza Bispo: O Raidman do Grajaú


No dia 28 de Julho de 1923, após exaustiva, porém gratificante jornada, chegava a São Luís, Souza Bispo, vindo a pé do Rio de Janeiro, em um percurso que meses depois seria lido na sua conferência proferida na Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro intitulada por Raid Rio-Maranhão, conferência esta que em 1949 seria publicada em seu livro “A Estrutura Geográfica do Maranhão e a existência do petróleo”. Os jornais da época davam vivas ao feito e toda a população admirava o herói inconteste, o desbravador das plagas do sertão brasileiro, por onde quer que passava era festejado e toda a sociedade sentia-se regozijada e imponente, pois são destes momentos únicos que nasce a História. Assim consagrava-se o já brilhante escritor e dileto maranhense, pois dentre todas as suas façanhas esta talvez tenha sido a mais importante. 




Foto publicada no Jornal Diário de São Luiz em 1924.



Em 1922 comemorava-se o Centenário da Independência do Brasil e por todo o país pipocavam Raid, termo este usado para designar uma certa excursão ou desafio. Os periódicos da época a todo o momento noticiavam raid pedestres, como é o caso de um grupo cívico que em 7 de setembro de 1922 chegava a São Paulo vindos de uma caminhada partindo de Natal. A excursão de Souza Bispo partira então do Rio de Janeiro no dia 29 de Novembro de 1922, passando por alguns estados dentre eles Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Piauí, no Maranhão percorreu diversas cidades a citar Carolina, Riachão, Balsas, Loreto, Nova York, Pastos Bons, Porto Franco, Matões, Caxias, Codó, Coroatá e Rosário, chegando a São Luís após caminhar mais de 800 léguas. Mas antes mesmo deste feito Souza Bispo já desbravava o sertão nordestino sempre com o espirito altivo e edificante, saiu fundando escolas e criando jornais como por exemplo “Os Simples”, “O Sertão”, “Tupy” tendo como missão levar educação, conhecimento e senso social critico de dever e direitos, para uma região que na época era assolada pela pobreza, o analfabetismo e o coronelismo que tanto atrasaram o desenvolvimento do nosso estado. Este ano completa cem anos desta faceta realizada por Souza Bispo, levado pura e simplesmente pelo desejo patriótico e nacionalista de conhecer o seu rincão.


Thalles Barreto
20/08/2023

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